Olá meus amigos!
Como eu disse no último post, eu e meu amigo Gonçalo mandamos nossas mochilas na frente e caminhamos até Estella carregando uma pequena sacola, e o serviço de "táxi de mochila" iria deixar as mesmas na oficina de turismo, ocorre que estava chovendo muito e meu corpo começava apresentar sinais de uma gripe, e a febre veio com força total, o que me fez andar mais devagar...como José e Gonçalo eram cavalheiros, acompanharam meu ritmo...com isso acabamos chegando quase de noite na cidade destino e quando chegamos na oficina a mesma estava fechada!! Ou seja, estávamos sem mochila, sem roupas, sem nossos objetos de higiene pessoal...e eu com os pés machucados e um febrão que insistia em aparecer! Ocorre que os reflexos do caminho já apareciam na minha personalidade...em outras situações eu daria um ataque de pelanca, ficaria surtada, mas como estava sozinha e pude atestar que não adiantaria ficar estressada, simplesmente o problema não iria se resolver, eu teria que esperar até o dia seguinte para pegar minha mochila somente as 10 da manhã, o que atrasaria a partida da caminhada até Los Arcos, mas mesmo assim decidi por relaxar e consegui uma toalha emprestada, shampoo e escova de dente eu comprei novos e uma caixa de bandaid's para curar as bolas...a roupa usei a mesma, mas ninguém ia dormir comigo....rs
Me despedi de José na rodoviária, ele preocupado com a minha gripe e me deu uma injeção de ânimo dizendo que eu iria conseguir chegar a Santiago...fiquei triste, mas sabia que essas situações iriam se apresentar no decorrer da minha jornada e voltei para o Albergue.
Lá chegando resolvi cozinhar, quem me conhece sabe que essa é a minha praia...então a fim de deixar Gonçalo mais feliz pois ele também sofria com a despedida do amigo, e para economizarmos, fui no mercadinho e comprei um macarrão e molho de tomate e fui me aventurar na cozinha do Albergue, que era muito bem estruturada. Coloquei a água para ferver e pus o macarrão para cozinhar...subi para chamar meu amigo, nisso sinto um cheiro de queimado e volto correndo para a cozinha...me deparo com italiano retirando o meu macarrão queimado do fogão!! O fogo do fogão era muito forte e pegou na massa enquanto ela ainda estava na panela....ele sorriu e falou: JÁ VI QUE NÃO SABE COZINHAR NÉ?
Eu sorri meio sem graça e disse: MUITO PELO CONTRÁRIO..COZINHO PARA SOBREVIVER....RS, ele então deu uma gargalhada e disse que eu devia passar fome então..rs
É claro que não me dei por vencida, mesmo tendo queimado um macarrão na frente de um italiano, e cozinhei outra massa...esse rapaz estava fazendo o caminho reverso. Ele vinha de Santiago e iria andando até a Toscana!! Quase dois mil km!! E ele fazia o trajeto SEM DINHEIRO!! Ele sobrevivia de bicos, trabalhava em troca de um prato de comida, ou de um café da manhã...não pensem que ele era pobre, muito pelo contrário, vinha de uma família abastada, mas resolveu viver essa experiência o que nos rendeu altas conversas enquanto ele preparava azeitonas que havia colhido nas inúmeras oliveiras que tinham no caminho. Todavia quando o vi fazendo aquelas azeitonas eu meio que estranhei, pois estavam verdes e amargas!! Mas como ele ainda não acreditava que eu soubesse cozinhar, ficou reticente em aceitar minhas dicas, mas quando o meu macarrão ficou pronto e ele provou aí ele acreditou :P
Fui dormir e no dia seguinte após pegarmos nossas mochilas na oficina de turismo e mudar de roupa seguimos para Los Arcos, pois nesse dia iríamos conhecer no meio do trajeto a famosa fonte de vinho, onde o Peregrino pode beber o quanto quiser na fonte abastecida por um mosteiro, e Gonçalo estava animadíssimo...eu como não sou fã de bebida alcoólica queria mesmo ver a igreja e o mosteiro que sabia ser lindíssimos, e eu estava certa! Os locais no caminho de santiago passam uma paz suprema...cada local, cada igreja, cada recanto tem uma energia que só indo lá para sentir...saber que milhares de pessoas estiveram ali, milhares de sonhos, milhares de pedidos e provações passaram por aqueles bosques, torna o caminho MÁGICO.
Nesse dia foi particularmente sofrido para mim...estava muito debilitada e estava chovendo muito fino, além de estar com muita lama, o que me fazia parecer um pinguim caminhando...dizem que tem câmeras espalhadas pelo caminho..graças a Deus não vi nenhuma, porque eu tomei vários estabacos na lama e dariam ótimas video cassetadas..rs
Chegamos em Los Arcos e eu fiquei numa pensão que se chama CASA DE AUSTRIA e a dona era uma fofa, e tinha um labrador chamado Mambo que era uma coisa de louco...pela primeira vez lavei roupa (coisa que sou péssima em fazer...rs) e me entupi de analgésico, na esperança da febre baixar, a bota que comprei acabou com meus pés e como a próxima parada seria Longroño eu decidi comprar novos sapatos pois estava caminhando de papete...rs
Dormi o sono dos justos e de manhã ganhei uma linda escultura de um senhor que morava nessa pensão, e rumei para a próxima etapa onde aconteceu uma das situações mais engraçadas do caminho....que conto para vocês no próximo post!
Beijinhos a todos
Como é que alguém caminha de papete??? HAHAHAHA...to amando a narrativa Filé. Juro que escuto vc falando ao ler o post. Bjukas e se cuida.
ResponderExcluirMichelle.
Não perco um capítulo sequer! VC tá me acostumando bem! Rsrs
ResponderExcluirVC é mesmo fera com uma caneta na mão!
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